quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Biografias

Jornalismo de campo e pesquisa sobre gênero formam a base da atuação de Paula Litaiff

A trajetória de Paula Litaiff passa por jornais do Amazonas, veículos nacionais, televisão, rádio, pesquisa sobre mulheres indígenas Kokama e gestão da Rede Cenarium.
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A trajetória de Paula Litaiff reúne diferentes áreas da comunicação e tem a Amazônia como eixo recorrente. Natural de Manaus, a jornalista passou por redações do Amazonas, atuou como comentarista em rádio e televisão, colaborou com veículos nacionais, participou de uma série documental da Netflix e assumiu a direção de uma estrutura editorial voltada à região.

Mestra em Sociedade e Cultura da Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Paula é fundadora da Rede Cenarium e diretora-geral da Revista Cenarium. Seus perfis institucionais registram cerca de duas décadas de experiência em Comunicação Social, com atividades que incluem reportagem, análise política, gestão de equipes e produção de conhecimento.

Formação voltada à sociedade e à política

Graduada em Jornalismo, Paula também tem formação especializada em Gestão Social: Políticas Públicas e Defesa de Direitos. O perfil divulgado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) registra ainda uma especialização em Ciências Políticas.

Esse percurso acadêmico reúne áreas relacionadas ao funcionamento das instituições, às desigualdades sociais e às relações entre sociedade e poder. A formação passou a se conectar tanto ao trabalho desenvolvido nas redações quanto à pesquisa sobre questões sociais da Amazônia.

No mestrado em Sociedade e Cultura da Amazônia, pela Ufam, Paula estudou a resistência de mulheres indígenas Kokama, com atenção às lideranças femininas do Parque das Tribos, em Manaus. Em junho de 2025, a universidade divulgou um vídeo documental relacionado à dissertação, aproximando a investigação acadêmica da produção audiovisual.

Experiência em jornais do Amazonas

A carreira profissional começou nas redações de jornais amazonenses. Paula trabalhou como repórter no Diário do Amazonas, em A Crítica e no Amazonas Em Tempo. Nesse período, passou pelas editorias de Polícia, Cidades e Política.

As áreas cobertas incluíram acontecimentos da vida urbana, segurança pública e disputas e decisões ligadas ao poder político no Amazonas. A experiência de reportagem em diferentes editorias formou a base de um percurso que depois incorporou comentário, gestão e pesquisa.

O trabalho também se estendeu para o rádio e a televisão. Paula atuou como comentarista na TV NC News, na Rádio BandNews e na TV Onda Digital. O currículo registra ainda colaborações com O Globo, Estadão e UOL.

Essa circulação aproximou a experiência construída no jornalismo regional de veículos e públicos de outras partes do país. A atuação como comentarista acrescentou ao trabalho de apuração a interpretação de acontecimentos políticos e sociais.

Participação em série documental sobre o Amazonas

Um dos trabalhos de maior circulação internacional na trajetória de Paula foi sua participação na série documental “Bandidos na TV”, conhecida em inglês como “Killer Ratings” e disponibilizada pela Netflix.

A produção aborda o caso Wallace Souza, no Amazonas. Paula participou como uma das profissionais que relataram os acontecimentos à equipe do documentário, contribuindo com a experiência acumulada durante a cobertura jornalística do caso.

A participação inseriu o trabalho da jornalista em uma produção audiovisual de alcance internacional, sem afastá-lo do contexto regional que marca sua carreira. O episódio também integra a relação de Paula com temas ligados à política, à segurança pública e à cobertura de acontecimentos do Amazonas.

Criação e direção da Rede Cenarium

Na área de gestão, Paula fundou a Rede Cenarium, sediada na Amazônia, e passou a dirigir uma estrutura formada por revista eletrônica, revista impressa, agência de notícias e TV web.

A função ampliou suas responsabilidades para além da produção individual de reportagens e comentários. Como diretora-geral da Revista Cenarium, ela passou a atuar também na condução de equipes, na definição de projetos editoriais e na organização de uma operação de comunicação com profissionais em diferentes cidades da Amazônia brasileira.

A cobertura da rede inclui questões socioambientais, povos tradicionais, direitos humanos, reportagens investigativas e jornalismo de dados. Os temas relacionam-se ao território amazônico e às decisões políticas e econômicas que afetam as populações da região.

A estrutura criada por Paula combina diferentes formatos de publicação e procura tratar assuntos regionais por meio de texto, audiovisual, produção de notícias e análise editorial. A experiência de gestão passou, assim, a fazer parte central de sua atuação profissional.

Pesquisa sobre mulheres indígenas Kokama

A produção acadêmica constitui outra frente do trabalho de Paula Litaiff. Ela é coorganizadora da obra “Gênero, Trabalho e Lutas na Amazônia”, conforme informações divulgadas pela Abraji e pelo Festival 3i.

A pesquisa de mestrado sobre mulheres indígenas Kokama concentrou-se nas formas de resistência e na atuação de lideranças femininas do Parque das Tribos, em Manaus. O estudo acrescentou à trajetória da jornalista uma dimensão voltada à elaboração e à circulação de conhecimento sobre questões sociais amazônicas.

Com a divulgação do vídeo documental relacionado à dissertação, em 2025, a pesquisa também ganhou uma apresentação audiovisual. A iniciativa aproximou a universidade de uma linguagem já presente na carreira profissional de Paula.

Segurança na cobertura de áreas de conflito

Em julho de 2025, Paula participou como palestrante do 20º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, realizado em São Paulo. Ela integrou uma mesa sobre segurança de jornalistas e fontes na Amazônia.

Durante o encontro, apresentou experiências e protocolos adotados pela Cenarium em coberturas realizadas em áreas de conflito. A discussão abordou a necessidade de avaliar os riscos antes do trabalho de campo e de levar em conta a experiência dos profissionais enviados a territórios sensíveis.

O tema está relacionado à responsabilidade de quem dirige equipes jornalísticas. Além da apuração e da publicação das informações, a atividade envolve a criação de condições para proteger profissionais e pessoas entrevistadas durante investigações em locais de maior risco.

A participação no congresso acrescentou ao percurso de Paula uma frente ligada à segurança operacional do jornalismo regional. A questão se soma à experiência acumulada em reportagens policiais, políticas e sociais no Amazonas.

Textos sobre política, clima e desinformação

Como autora, Paula mantém produção de entrevistas e editoriais sobre política, democracia, representatividade, questões ambientais e desinformação. Seus textos abordam ainda a emergência climática, a participação indígena na política, as desigualdades de gênero e os efeitos da inteligência artificial sobre a informação e o debate eleitoral.

Os assuntos refletem a combinação entre a experiência de cobertura, a formação acadêmica e a atuação na direção de um veículo de comunicação. Também mostram a ampliação dos temas tratados ao longo da carreira, que passou das editorias de Polícia, Cidades e Política para debates sobre ambiente, direitos, tecnologia e participação social.

A produção editorial da Rede Cenarium se desenvolve nesse mesmo campo de questões. Ao tratar de povos tradicionais, direitos humanos, território e decisões econômicas, o veículo mantém o foco na realidade amazônica e em sua relação com o debate público brasileiro.

Reconhecimento profissional em 2025

Em 2025, Paula Litaiff foi indicada ao prêmio 100+ Admirados Jornalistas Brasileiros, promovido pelo Portal dos Jornalistas e pelo informativo Jornalistas&Cia. A indicação fez parte do processo de votação da premiação.

O registro se soma a outras etapas de sua trajetória, marcada pela passagem por jornais, emissoras de rádio e televisão, veículos nacionais, produção audiovisual, universidade e gestão editorial.

Ao longo de cerca de duas décadas, a jornalista reuniu funções distintas dentro da comunicação. Foi repórter em jornais do Amazonas, comentarista, colaboradora de veículos de alcance nacional, participante de documentário, pesquisadora e dirigente de uma rede de mídia.

Esse percurso também conecta diferentes formas de produção jornalística: a apuração realizada em campo, a análise apresentada em comentários e editoriais, a pesquisa desenvolvida na universidade e a organização de equipes e projetos editoriais. Em todas essas frentes, a Amazônia aparece como espaço de trabalho, investigação e reflexão.

A atuação de Paula Litaiff, portanto, combina experiência profissional e formação acadêmica em torno de temas relacionados à região. A reportagem, a gestão da comunicação, o estudo sobre mulheres indígenas e a discussão sobre segurança jornalística compõem um mesmo percurso entre as redações, a universidade e a direção de um projeto editorial amazônico.

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