quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Política

Plano de Omar Aziz reúne propostas para fiscal, serviços públicos e desenvolvimento do interior do Amazonas

Elaborado por equipes multidisciplinares, o Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas organiza propostas para economia, saúde, segurança, educação, inovação e outras áreas da administração pública.
durangoduarte-omar

O Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado pelo governador eleito Omar Aziz (PSD), organiza em três volumes uma agenda de propostas para a próxima administração estadual. Com aproximadamente 1.742 páginas, o material reúne diagnósticos, indicadores, metas e estratégias para áreas como economia, saúde, segurança pública, educação, infraestrutura, assistência social, meio ambiente, tecnologia e desenvolvimento regional.

A coordenação do trabalho ficou a cargo do empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte, que articulou equipes formadas por pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração e representantes de diferentes setores da sociedade. O objetivo declarado é formular uma agenda que ultrapasse o período de um mandato e possa orientar ações de longo prazo no estado.

Três volumes organizam a agenda estadual

O primeiro volume é dedicado às condições fiscais do Amazonas, aos efeitos da Reforma Tributária, à infraestrutura, à logística e à diversificação da economia. O documento também trata do fortalecimento da Zona Franca de Manaus, da expansão das atividades produtivas no interior, da bioeconomia, do turismo, da piscicultura, da fruticultura, da ciência e da tecnologia.

As propostas partem da necessidade de ampliar a capacidade de investimento do estado e reduzir as diferenças econômicas entre Manaus e os municípios do interior. O planejamento relaciona a diversificação produtiva à criação de novas oportunidades de desenvolvimento regional.

O segundo volume concentra medidas para saúde, segurança pública e assistência social. Na saúde, estão previstas a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.

Na segurança pública, o plano propõe a modernização do Ronda no Bairro e a ampliação do modelo por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Para a assistência social, o programa Amazonas Forte Social prevê o fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e a ampliação de oportunidades de autonomia econômica.

O terceiro volume trata de educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as propostas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a expansão da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos por meio do programa Amazonas Digital e Inovador.

O documento também inclui medidas para fortalecer a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.

Participação de equipes multidisciplinares

A elaboração do plano envolveu profissionais de diferentes especialidades, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo. O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes.

Os documentos procuram relacionar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos necessários para a execução das medidas. O planejamento também prevê o acompanhamento das ações por meio de indicadores, metas e instrumentos de avaliação.

Entre os temas incorporados estão inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública. A proposta é estruturar políticas que possam permanecer em funcionamento mesmo com mudanças de governo.

Experiência de Durango Duarte combina pesquisa e gestão

A coordenação do plano está ligada à trajetória de Durango Duarte em pesquisas, comunicação, consultoria e gestão de projetos. Nascido em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, ele chegou a Manaus em 1975, ainda adolescente, e construiu na capital amazonense a maior parte de sua carreira profissional e empresarial.

Durango estudou Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e concluiu graduação em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte). Também fez especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital.

Sua aproximação com a política começou no movimento estudantil, na década de 1980, período em que participou de mobilizações pela redemocratização do país e de atividades de representação universitária. Foi nesse contexto que estabeleceu relações políticas que permaneceram ao longo de sua trajetória.

A relação profissional com Omar Aziz começou na década de 1980. Em 1988, Durango foi convidado pelo então político para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.

Entre 1989 e 1990, também atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos de consultoria relacionados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.

Ao longo desse período, participou de estudos, estratégias e projetos ligados à comunicação institucional, ao planejamento governamental e às políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória profissional estão Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.

Perspectiva ampliou atuação em pesquisas

Em 13 de julho de 1993, Durango fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa realizou pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises do comportamento dos consumidores.

A experiência com pesquisas havia começado em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Naquele período, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, quando os recursos tecnológicos eram mais limitados e a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.

Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa desenvolveu mais de mil projetos de pesquisa. Durango também acompanhou 22 eleições desde 1982 e criou o Top of Mind, levantamento destinado a identificar as marcas e os produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.

A atuação no setor consolidou sua experiência na interpretação de indicadores, na identificação de tendências e no uso de informações para orientar decisões estratégicas.

Empresas ampliaram atuação para comunicação e tecnologia

Além da Perspectiva, Durango diversificou suas atividades empresariais. Em 2009, fundou a The Voice, voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.

Em 2021, fundou a Red Agency, do setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar atividades e participações empresariais. A expansão dos negócios envolveu gestão de equipes, desenvolvimento de projetos, inovação tecnológica e planejamento empresarial.

Essa experiência está relacionada à coordenação de iniciativas que dependem da articulação entre profissionais de diferentes áreas, como ocorreu na elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas.

Memória e produção de conhecimento

A atuação de Durango também inclui a preservação da memória histórica do Amazonas. Em 2015, ele fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, documentação e preservação de registros históricos.

Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes relacionadas à história de Manaus, do Amazonas e do Brasil. Durango também participou da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional.

Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, publicado em 2020. Ele também participou de publicações sobre a história da Zona Franca de Manaus, o ciclo da borracha e a preservação do patrimônio histórico da capital.

Plano servirá como referência para a próxima administração

Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. Ele retornará ao comando do Executivo estadual depois de ter administrado o estado entre 2010 e 2014. Alessandra será a primeira mulher eleita para a vice-governadoria do Amazonas.

A nova gestão deverá assumir em janeiro de 2027, com desafios relacionados à reorganização administrativa, à ampliação dos investimentos, à melhoria dos serviços públicos e ao desenvolvimento dos municípios do interior.

O plano reúne propostas para essas áreas, mas a implementação dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade de execução dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.

Com a eleição de Omar Aziz, o documento coordenado por Durango Duarte passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a formulação das políticas públicas da próxima administração. A execução das medidas deverá transformar os diagnósticos e as propostas reunidos nos três volumes em ações concretas para o desenvolvimento econômico e social do Amazonas.