quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Do congo à panela de barro: como conhecer tradições que representam o Espírito Santo

O congo e o ofício das paneleiras de Goiabeiras estão entre as principais tradições do Espírito Santo. Saiba o que representam, onde conhecer essas expressões e como visitar os espaços de forma respeitosa.

As tradições do Espírito Santo aparecem na música, nas festas religiosas, no artesanato e na culinária. Entre as expressões mais conhecidas estão as bandas de congo e o ofício das paneleiras de Goiabeiras, práticas transmitidas entre gerações e associadas à identidade capixaba.

Para quem visita o Estado, conhecer essas manifestações é uma forma de compreender a história e o cotidiano de diferentes comunidades. A experiência pode incluir uma visita a espaços de produção artesanal, a participação como espectador em festas populares e a degustação de pratos preparados segundo costumes regionais.

O que é o congo capixaba

O congo é uma manifestação cultural marcada por tambores, casacas, cantos, danças e cortejos. Sua formação reúne influências indígenas, africanas e europeias, e sua transmissão ocorre principalmente pela oralidade e pela participação comunitária.

As bandas de congo costumam estar ligadas a festas religiosas dedicadas a santos como São Benedito, São Sebastião, São Pedro e Nossa Senhora da Penha. As toadas abordam temas de devoção, relações comunitárias, mar, amor e memória. Em 2015, as bandas de congo receberam o reconhecimento oficial como Patrimônio Imaterial do Espírito Santo. Em 2025, o governo estadual informou a existência de 61 bandas no Estado. (es.gov.br)

As datas das apresentações variam conforme o município, a comunidade e o calendário religioso. Por isso, quem pretende acompanhar uma roda de congo ou uma festa do mastro deve consultar previamente os canais oficiais das prefeituras, das secretarias de cultura e dos próprios grupos.

A tradição das panelas de barro

Em Goiabeiras, em Vitória, artesãs mantêm um modo de fazer panelas de barro associado a técnicas de origem indígena. O trabalho envolve a modelagem manual da argila, a queima em fogo aberto e a aplicação de tanino, substância obtida da casca do mangue-vermelho, que dá à peça sua coloração característica.

O ofício das paneleiras de Goiabeiras foi registrado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 20 de dezembro de 2002, no Livro de Registro dos Saberes. O reconhecimento considera o conjunto de conhecimentos, práticas e relações comunitárias envolvidos na produção, e não apenas o objeto final. (bibliotecadigital.iphan.gov.br)

As panelas são tradicionalmente usadas no preparo e no serviço da moqueca capixaba e da torta capixaba. A Prefeitura de Vitória informa que o galpão das paneleiras permite aos visitantes observar parte do trabalho artesanal. O funcionamento divulgado é de segunda-feira a sábado, das 8h às 18h30, e aos domingos, das 8h às 15h. Como horários podem mudar, é recomendável confirmar as informações antes da visita. (vitoria.es.gov.br)

Como conhecer essas manifestações

Ao visitar uma comunidade tradicional, o ideal é respeitar o ritmo de trabalho das artesãs, pedir autorização antes de fotografar e evitar tocar em peças ou instrumentos sem permissão. Em festas religiosas, o visitante deve acompanhar os cortejos sem interromper os rituais e observar as orientações dos organizadores.

Também é possível conhecer mais sobre o tema por meio de acervos públicos, pesquisas do Iphan e projetos de educação cultural desenvolvidos por mestres e grupos de congo. Assim, a visita deixa de ser apenas turística e contribui para valorizar saberes que continuam vivos no Espírito Santo.

Para informações atualizadas sobre eventos, oficinas e horários, consulte o Governo do Espírito Santo, a Prefeitura de Vitória, o Iphan e os canais oficiais das bandas de congo e associações de paneleiras.